Sol, você

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Hoje meu dia começou com o Sol encoberto
Sua visão tomadas por nuvens de insegurança e incertezas
Hoje a estrela mais brilhante não surgiu no meu céu
E mais uma vez me senti só

Senti como se essa estrela fosse só uma boa memória
Um breve momento de alívio após uma tempestade
Sinto como se esse único dia fosse um buraco no tempo-espaço de nossa história
Queria dormir e acordar queimando em seu calor

Gostaria de ver novamente seus olhos me fitando
Sentir as pontas de seus dedos tocando uma vez mais a minha pele
Sentir seus braços frágeis ao redor de meu pescoço
Pensar que estava completo

De que tipo de droga é feito nosso relacionamento?
Como sacio minha abstinência de seu beijo?
Isso também irá passar ou irá me queimar?
Não sei o que dizer

Sei que sinto sua falta
Sei que quero seu brilho em meus dias
Sei que te quero
E poderei ser feliz pelas poucas horas que te ver

Erro

segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Sinto a realidade se desfazendo sob meus pés
Não sei se fico triste por acabar com tudo
Ou feliz pelo mesmo motivo
Talvez seja algo passageiro
Talvez seja um vácuo temporal

Creio que erros foram para serem cometidos
E a vida é uma sucessão de erros
Alguns erros valem a pena e outros machucam
Errei dos dois modos comigo e contigo

Meros termos

domingo, 5 de setembro de 2010

A física diz que voamos no espaço entre os elétrons
Somente sinto a queda e o frio fundo do poço batendo em minhas costas
Aquele fundo e frio lago de idéias me afoga no desgosto
Não me conheço, não espero um futuro digno, nem ao menos compreensão

A lógica não se aplica ao ser tal qual a comida não se aplica à pedra
Alimentamos pedras com nossos amores e esperamos que cresça, mas o tempo só quebrará
E quando a pedra vira pó, não importa o quanto segure, o vento levará tudo
E novamente estará só

Onde assumimos essa dor?
O grito leva o sangue a escorrer pela garganta seca
Não há pior maldição que a auto-imposta
A sujeira da bioquimica sentimental onde mergulha o corpo

Onde está aquela que nada na mesma sujeira?
Aquela banhada na mesma lama?
Que busca a criatura que espera para sair do casulo
Onde está o amor que diz que me achou?

Amor é um mero termo que recobre a vaidade
Onde o amor-próprio não passa de um pleonasmo
E a falta do mesmo se chama sofrimento alheio

Mundo

domingo, 22 de agosto de 2010

Cada segundo que passou deixou um vácuo em minha mente
Parece doença, um terremoto, uma enchente
Os pensamentos sujos seguem como mo fluxo de um esgoto a céu aberto
Não há mais batalha para lutar
Só resta terminar o trajeto em uma poça parada disseminando a doença
A tristeza e a agonia
Essa é a harmonia da natureza
Aquele que cura também mata
O que mata pode ser a única cura

A imunda meretriz sente suas tripas escorrendo entre suas pernas
Dois pobres futuros transformados num só caixão num túmulo sem nome
O cafetão perde seu produto
A carne nova está a caminho
Sonhos enterrados em sangue, sexo, duas refeições e maquiagem pesada

O cheiro de urina em suas roupas está impregnado, tanto quanto o cheiro de álcool
Seu único aquecedor
O cobertor de jornais é levado pelo vento deixando seu corpo exposto ao clima
O único ser que não sente nojo e desgosto pela sua presença é o cão sarnento
Sua única parceria para o jantar de restos deixados pos seus semelhantes abonados
Durma criança, um dia a morte chegará

Silêncio

domingo, 23 de maio de 2010
Me calo nessa noite fria
A personalidade fragmentada se reconstitui
Não passa de uma criança infeliz
Não passa de uma criança envelhecida

O silêncio é tão alto que quebra vidraças
Quero gritar, uivar mas não tenho voz
Espero poder lhe dizer isso um dia
De modo sonoro
Em seu ouvido

Quero dizer que a realidade é tardia pro mundo
Que é precoce pra inocência
Que o inocente é cego e feliz
Dizer que nada do que digo é novo
Repito velhas expressões

Não sou juiz, não sou conselheiro

Antítese vitalícia

domingo, 25 de abril de 2010

Salve-me
Algumas vezes pessoas não resolvem problemas sozinhas
As vezes juntos criamos problemas
Ou não queremos nos arriscar

Acho que não é meu lugar
Não é meu tempo
Não é minha vez
Ou quem sabe, talvez

Não recordo meu primeiro pensamento
Escrevo o que não foi o ultimo
Algo mastigado
Amargurado

Vale ser dono de algo?
Algo é de alguém?
Alguém é de alguém?
Alguém é de algo?

Eu não estarei lá todo o tempo
Não sou onipresente
Não sou exclusivo
Simplesmente estou vivo

Vocês estiveram no lugar certo
Na hora certa
Ou eu que cheguei a tempo
Nosso show começou

Estou apaixonado
Estou apavorado
Névoa fria
Vapor quente

Nascemos separados e nos unimos
Talvez nos separemos e levemos partes um do outro
Não quero me libertar
Nada é eterno

Sentido

domingo, 18 de abril de 2010

A vida passa a fazer sentido
Basta parar de correr atrás da falsa verdade
E abraçar a esperança quando a mesma corre em sua direção
Não deve-se temer uma queda livre

No fim algo irá te aparar
Pode ser duro
Pode ser simples
Pode ser só o começo